Tudo pronto. Biblioteque-se!

A programação do 10º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias (Seminário Biblioteca Viva) está fechada, com muito conteúdo e atrações

Venha atualizar seus conhecimentos e celebrar o 10º ano de um dos mais importantes eventos realizados pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo e Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB). A organização é da SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura, com apoio institucional do Goethe-Institut.

A novidade mais recente é que estão confirmadas as participações do escritor André Vianco e da cartunista Laerte Coutinho, duas importantes personalidades da literatura brasileira. Vianco vai conversar com a plateia no dia da abertura (23/10), enquanto Laerte virá no último dia (25/10).

Uma das inovações desta edição é a palestra virtual sobre zonas livres de leitura que será proferida pela croata Mirela Roncevic, editora e idealizadora do projeto Free Reading Zone e da Biblioteca Virtual para a Croácia. A mediação presencial será de Liliana Giusti Serra, doutoranda em Ciência da informação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho.

Na abertura da programação, a bibliotecária Mélanie Archambaud irá relatar experiências e apresentar novas formas de mediação de leitura que acontecem na rede de bibliotecas públicas de Bordeaux, na França. O tema desta palestra será aprofundado no curso de imersão que acontecerá no dia seguinte (24/10), com a participação das especialistas Bianca Santana e Amanda Leal de Oliveira.

Mediação e territórios de leitura serão temas permanentes durante os três dias. Leandro de Sagastizábal, presidente da Comissão Nacional de Bibliotecas Populares da Argentina vai falar sobre articulação do Estado e sociedade para promoção da leitura naquele país (24/10)

Sagastizábal também participará de uma mesa-redonda (25/10) com Isabel Santos Mayer, do LiteraSampa, rede que conta com catorze bibliotecas comunitárias e duas escolares, além das parcerias que possui nos territórios em que estão inseridos. O debate pretende identificar pontos de convergência entre as diversas tipologias de bibliotecas para melhorar os serviços e conquistar mais leitores.

Novos territórios da leitura: onde estão? A conhecida Tia Dag, da Casa do Zezinho, e o escritor Marcos Lopes, do Projeto Sonhar, vão responder esta pergunta (23/10). Territórios em conflito, jovens, adolescentes e famílias vulneráveis, educação e oportunidades de leitura fazem parte do desafiador dia a dia desses educadores que atuam na região periférica da capital paulista.

Outra convidada internacional, a bibliotecária alemã Gabriele Ceseroglu atualmente dirige um projeto de incentivo à leitura em várias línguas na Biblioteca Pública de Colônia. Durante muitos anos atuou com famílias estrangeiras que chegam à Alemanha vindas de territórios em conflito. Em palestra na parte da tarde do primeiro dia do evento (23/10), Gabriele vai tratar da biblioteca e seus desafios como território cultural impactado por ondas migratórias.

Para ampliar o tema, conduzirá o curso de imersão abordando as questões da interculturalidade e multilinguismo, contando com a participação do educador José Queiroz, da Comunidade Cultural Quilombaque, e da bibliotecária Maria Elizabeth Pedrosa, da Biblioteca Pública Padre José de Anchieta. A mediação será de bibliotecária Ana Teresa Sannazzaro, do Goethe-Institut.

A presidente da FEBAB, Adriana Cybele Ferrari, fará uma apresentação sobre a importância da inclusão das bibliotecas na Agenda ONU 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

Registrar, preservar e transformar em informação as histórias de vida de toda e qualquer pessoa da sociedade é a missão do Museu da Pessoa que em 25 anos de existência formou um riquíssimo acervo. A fundadora Karen Worcman vai relatar experiências, resultados e destacar o papel das bibliotecas na palestra Nossas histórias, nossa memória.

O seminário ainda terá intervenções artísticas todos os dias, muitos painéis com casos exemplares, exposição de pôsteres, sorteios de kits de livros e muito mais. Serão três dias de intenso aprendizado, trocas de experiências e ideias transformadoras. Todas as palestras de convidados estrangeiros terão tradução simultânea.

Participe e inspire-se nesta edição comemorativa dos 10 anos do Seminário Biblioteca Viva. Veja a programação completa e faça a sua inscrição gratuita neste site.

Serviço

10º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias (Seminário Biblioteca Viva)
23 a 25 de outubro de 2017 – das 8h30 às 18h
Centro de Convenções Rebouças – Grande Auditório e Auditório Vermelho
Rua Doutor Enéas Carvalho de Aguiar, 23 – Cerqueira César – São Paulo – SP (Metrô Clínicas)
Realização: Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo (Unidade de Difusão Cultural, Bibliotecas e Leitura) e Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas de São Paulo (SisEB)
Execução: SP Leituras – Associação Paulista de Bibliotecas e Leitura
Apoio institucional: Goethe-Institut São Paulo

 

Valéria Valls convida para o 10º Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias.

Por onde andamos. Para onde vamos

Criado em 2008, o Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias vem se firmando, ano a ano, como um dos mais importantes eventos dessa área em toda a América Latina. Chega agora à sua 10ª edição com muitas conquistas e aprendizados.

O seminário é um momento de inspiração, reflexão e transformação. Cada dia fica mais evidente que o trabalho das bibliotecas para atender as demandas da comunidade tem potencial para produzir impactos socioculturais positivos e benéficos a todos. Isso é resultado da ação de bibliotecários e profissionais de biblioteca motivados que empreendem mudanças nas unidades em que atuam. Desde pequenas iniciativas individuais até transformações mais amplas que envolvem poder público e comunidade para atualizar o papel das bibliotecas do nosso tempo.

Veja o convite da professora Valéria Valls:

 

Biblioteque-se conosco!

Serviço

Dias 23, 24 e 25 de outubro de 2017.

Local: Centro de Convenções Rebouças.

Inscrições gratuitas: http://siseb.sp.gov.br/agenda/

Confira a lista dos trabalhos selecionados para apresentação de painéis e pôsteres no 10º Seminário Biblioteca Viva.

PAINÉIS E PÔSTERES SELECIONADOS

Ao todo, conhecemos mais 93 experiências inspiradoras realizadas em muitas bibliotecas brasileiras.

Abaixo relacionamos os trabalhos selecionados pelo Conselho Curatorial e a programação das apresentações que não representa a ordem de classificação dos projetos.

APRESENTAÇÃO – PAINÉIS

Nome do projeto – Instituição – Município / Estado

23 de outubro de 2017 – manhã

  1. Pequena biblioteca viva para crianças na universidade: uma escuta do território – Centro Universitário Fundação Santo André – Santo André/SP
  2. Encontro com o escritor: relato de experiência de mediação de leitura – um projeto de Carro-Biblioteca – Secretaria de Estado da Cultura de Minas Gerais, Superintendência de Bibliotecas Públicas e Suplemento Literário e Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais – Belo Horizonte/MG
  3. FLIBI – Festival Literário de Birigui – Biblioteca Pública Municipal Dr. Nilo Peçanha – Birigui/SP

23 de outubro de 2017 – tarde

  1. Encontro com música e literatura na casa Pia – Biblioteca General Álvaro Tavares Carmo e Casa Pia São Vicente de Paulo – Sertãozinho/SP
  2. Desvendando a deficiência visual – Biblioteca Pública Municipal Macedo Soares e Secretaria Municipal de Educação – Jacareí/SP
  3. Tecnologia dia a dia: oficina de smartphone e redes sociais – Biblioteca de São Paulo – São Paulo/SP

24 de outubro de 2017 – manhã

  1. Produção alternativa de livros – Biblioteca Pública Municipal Poeta Paulo Bomfim – Itanhaém/SP
  2. Do físico ao digital: experimentação e criação da Biblioteca Digital da Cidade do Livro – Prefeitura Municipal de Lenções Paulista – Lençóis Paulista/SP
  3. Jornal Cândido – Biblioteca Pública do Paraná – Paraná/PR
  4. Grupo Teatral 8incena – Biblioteca Pública Municipal Prof.ª Maria de Lourdes Évora Camargo – Guararema/SP
  5. Projeto Oficinas Itinerantes: experimentos Teatrais – Biblioteca Pública Municipal Dr. Rafael Paes de Barros e Espaço Cultural de Jafa Maria Josefa Aguilar Zimiani – Garça/SP

25 de outubro de 2017 – manhã

  1. Projeto Anonimato – Diretoria de Ensino De Mogi Mirim – Mogi Mirim/SP
  2. Biblioteca Municipal João Mesquita Valença de Marília: um caso de advocacy – Biblioteca Pública Municipal João Mesquita Valença – Marília/SP
  3. Cardápio Cultural – Biblioteca Escola do Futuro Antonio Stella Moruzzi – São Carlos/SP

25 de outubro de 2017 – tarde

  1. Oficina Abayomi – Instituto de Educação José de Paiva Netto – São Paulo/SP
  2. Biblioteca: um novo olhar – Biblioteca Pública Municipal Alda Martins Soncini – Arujá/SP
  3. Lê no Ninho – Biblioteca Parque Villa-Lobos – São Paulo/SP

 

APRESENTAÇÃO – PÔSTERES 

Nome do projeto – Instituição – Município / Estado

23 de outubro de 2017

  1. Projeto: de onde você vem? – Biblioteca Pública Municipal Dr. Rafael Paes de Barros – Garça/SP
  2. Sabores da literatura – Centro Cultural Flávio Rangel – Tabapuã/SP
  3. Mentes Lítero-Culturais – Biblioteca Municipal de Cravinhos – Cravinhos/SP
  4. Oficina de leitura e escrita em braile – Biblioteca Louis Braille do Centro Cultural de São Paulo – São Paulo/SP

24 de outubro de 2017

  1. Roda Literária – Biblioteca Pública Municipal Porto do Saber e Casa do Poeta Brasileiro de Praia Grande – Praia Grande/SP
  2. Histórias para quem tem histórias – Biblioteca Municipal Dr. Júlio Prestes de Albuquerque e Lar São Vicente de Paulo – Itapetininga/SP
  3. Olimpíadas Literárias – Secretaria Municipal de Educação e Cultural – Charqueadas/RS
  4. Nosso meio ambiente: educação ambiental para a cidadania – CEU das Artes Camila da Silva Rossafa – Osasco/SP

25 de outubro de 2017

  1. Leiturinha em foco – Biblioteca Pública Municipal Prof. Nelson Foot – Jundiaí/SP
  2. Borne – Pequena Biblioteca – El Bourkadi
  3. Lançamento: Coletivo de obras Maranhenses – Secretaria de Estado da Cultura e Turismo e Biblioteca Pública Benedito leite – São Luís/MA
  4. Projeto de voluntariado: todos juntos mais você – Biblioteca Pública Municipal Carlos Drummond de Andrade – Ceilândia/DF

Chamada de trabalhos para painéis e pôsteres para o Seminário Biblioteca Viva 2017

Estão abertas as inscrições para apresentação de painéis e pôsteres durante o 10º Seminário Biblioteca Viva. Envie relatos de experiências criativas e inovadoras realizadas na sua biblioteca, instituição, sala de leitura ou outros espaços onde a leitura é protagonista de ações na sua comunidade. O evento será realizado nos dias 23, 24 e 25 de outubro.

Serão selecionados até 20 trabalhos, que serão apresentados no formato de painel expositivo com tempo de 15 minutos. Outros trabalhos selecionados pelo Conselho Curatorial serão veiculados na versão pôster digital.

Os trabalhos podem abranger um ou mais temas como:

  • A biblioteca e a comunidade;
  • Ações para a Terceira Idade;
  • Ações sustentáveis e consumo consciente;
  • Acessibilidade, vulnerabilidade e inclusão;
  • Biblioteca como espaço além da leitura;
  • Bibliotecas no mundo digital;
  • Interação entre biblioteca e escola;
  • Jovens leitores e a biblioteca;
  • Mediação cultural;
  • Mediação de leitura;
  • Sustentabilidade, parcerias e captação de recursos;
  • Serviços e programas de extensão da biblioteca;
  • Soluções para ambientes em bibliotecas e Voluntariado.

O prazo para apresentação dos trabalhos termina em 23 de julho e o resultado será divulgado até 28 de agosto.

Veja aqui como participar e se inscrever.

Leia um resumo da palestra de Marina Colasanti

Convidada do Seminário Biblioteca Viva, a escritora e jornalista Marina Colasanti foi a última atração do evento. Neste fechamento, ela contou causos de infância durante a Segunda Guerra Mundial na Itália, falou da sua relação afetiva com as bibliotecas e livros, respondeu às perguntas do público, falou de feminismo e, como uma cereja do bolo, declamou uma de suas histórias, o que emocionou todos os presentes.

Priorizou em sua fala, a relação com as bibliotecas de sua vida. Disse que durante a guerra, acostumou-se a não ter biblioteca formal. No conflito armado, as pessoas não levavam mais do que a roupa do corpo e uma pequena mala com alguns objetos. Mas lembra até hoje de uma coleção de livros clássicos editada pelo regime fascista em que pode conhecer autores como Miguel de Cervantes, Alexandre Dumas, Edgar Allan Poe, Homero, entre outros. Afirma que com palavras não consegue transmitir como aquelas obras a mudaram por dentro, a evolveram, a fizeram atravessar um portal.

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“Essa biblioteca invadiu a nossa vida, mas os livros ficaram para trás. Mas essa mesma biblioteca viajou com a gente, como algo interno”.

Ainda sobre o tema, contou que ao longo da vida foi agregando outras bibliotecas. Comprou muitos livros sobre feminismo, sobre questões de gêneros, sobre o amor, sobre as relações humanas, sobre o casamento, sobre a colonização italiana na África. Mas uma coleção ficou apenas no desejo.

Era a biblioteca de seu avô, historiador de artes. Lá, haviam tomos e tomos de livros sobre moda, arquitetura, desenho e ilustrações. Todos encadernados em capa de couro, com letras em dourado. Após a morte dele, esse acervo foi herdado para seu tio.

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“Nunca almejei herança, mas queria ter ficado com biblioteca herdada pelo meu tio. Eu morei dois anos com ele e com minha avó, ficava em Roma no inverno. Meu tio era cenógrafo e figurinista e acrescentou a coleção revistas de moda do século XIV. Quando era boazinha, eu tinha direito a ir na biblioteca. E eu ficava a noite folheando esses livros de história da arte e comendo cerejas. Essa biblioteca que eu sonhava herdar foi prometida ao meu irmão, mas acabou sendo vendida em leilão. Se tivesse ficado com ela, gastaria uma pequena fortuna para trazê-la ao Brasil. Mas não tem problema. Ela ainda é minha, porque ninguém esteve lá com tanta paixão”.

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Marina tem mais estórias sobre bibliotecas. Disse que a internet foi uma revolução nos costumo e que hoje é verdadeiramente uma grande biblioteca. Mas que para usá-la, é necessária alguma formação. Elogiou também a Biblioteca do Congresso Americano, a maior do mundo. Disse que os americanos têm uma filial na Índia e, quando findou a ditadura no Brasil, mandaram para cá livros que foram censurados.

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“O verdadeiro valor de uma biblioteca está no bibliotecário. O livro não é só uma capa, mas sim um universo”.

Disse também que toda a pessoa necessita de leitura. Que saber decodificar um texto é uma questão de civilidade. Mas a literatura é outra coisa, têm a ver com interpretação, com variadas leituras. Para fomentar esse gosto, ela acredita que existe o livro certo na hora certa. É o caso de sua filha, que não tinha o hábito da leitura. Até ficar doente e se encantar por Eu, Christiane F., 13 Anos, drogada e prostituída, um clássico dos anos 80. A partir daí a filha nunca mais parou de ler e hoje é roteirista.

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“Muitos professores me perguntam como fazer as crianças lerem? Se ele não sabe, ele não tem paixão. Existe uma troca que só acontece quando se têm paixão, no olho no olho. Um bom leitor se faz no acerto de um livro”, finalizou.

Veja uma galeria multimídia do que aconteceu no último dia do seminário

O último dia do Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias foi marcado por apresentações de poesia, com Renan Inquérito; um debate sobre como atrair jovens para os equipamentos culturais usando as redes sociais; falou-se da relação entre bibliotecas, história e censura; promoveu-se uma mesa-redonda sobre acessibilidade e teve como fechamento uma divertida conversa com Marina Colasanti. Veja um resumo do que aconteceu:

Veja imagens marcantes do segundo dia do Seminário

O segundo dia do Seminário Internacional de Bibliotecas Públicas e Comunitárias, realizado nesta terça-feira, 8 de novembro, foi marcado por momentos de descontração como no show Solidão no Fundo da Agulha, com Ignácio de Loyola Brandão e Rita Gullo. Também contou com uma aula magna da francesa Geneviève Patte, que falou sobre como motivar as crianças a lerem mais. Outro destaque foi uma mesa-redonda sobre Serviços de referência em biblioteca, além da apresentação de experiências em Estados brasileiros tão diversos como Minas Gerais, Ceará e São Paulo. Confira uma galeria multimídia destes momentos tão marcantes:

 

Confira alguns ensinamentos da francesa Geneviève Patte

A bibliotecária francesa Geneviève Patte subiu ao palco do Seminário Biblioteca Viva no início da tarde para uma palestra sobre como atrair o público infantil para a leitura. Autora do best-seller Deixe que leiam, publicado no Brasil pela Editora Rocco, ela já trabalhou com organizações internacionais como IFLA, UNESCO e IBBY e realizou os primeiros seminários internacionais sobre bibliotecas para crianças e jovens nas regiões em Leipzig, na Alemanha (1981), Caen, na França(1990), e Bangkok, na Tailândia (1999. Foi indicada ao Astrid Lindgren, o mais prestigiado prêmio da literatura infantojuvenil do mundo. Dirigiu durante 35 anos a associação La Joie par les Livres, responsável por uma biblioteca infantil na periferia parisiense que contribuiu para o desenvolvimento e difusão de bibliotecas para crianças e jovens em muitos países. Criou o Centro Nacional do Livro para Crianças e a revista do Livro para crianças, publicada atualmente pela Biblioteca Nacional da França.

Confira alguns ensinamentos que a mestre deixou de testemunho aqui no Brasil:

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Comecei a trabalhar em bibliotecas nas periferias das grandes cidades, em bairros pobres. Percebi que as crianças adoravam a leitura. Eu acho que o verdadeiro leitor é uma pessoa livre. E as crianças são grandes leitores. É fácil pegar um cesto com os nossos melhores livros, fazer uma pequena biblioteca num muro. É uma coisa simples, direta e que não custa dinheiro. Temos duas riquezas, o livro e a biblioteca. Não precisamos de nada sofisticado, a simplicidade abre portas, faz sonhar.

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Acredito que quando lemos para uma criança, ela tem consciência de que vamos lhe dar alguma coisa, que vamos deixar as nossas ocupações sérias para ler e compartilhar. A criança fica tocada pois vê que o adulto tem prazer de estar com ela e com o livro. Por isso temos que escolher de maneira cuidadosa estes livros. Como consequência, o adulto fica emocionado de ver que seu filho é sensível. Já a criança fica emocionada de ver o adulto tocado por estar naquele mundo infantil. É por isso que damos tanta importância na leitura de crianças.

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Os adultos leem pelo prazer e pela experiência. Já crianças menores e maiores não sabem que a leitura é algo que as transforma em bons alunos, mas sabem que o que é uma experiência. Eles nos ajudam a ler o livro pois prestam atenção aos detalhes. E nós devemos aceitar as suas interpretações. Não devemos fazer correções ou dizer que deve ser do nosso jeito. A gente tem que aceitar o jeito que elas mesmo descobrem. Não estamos na sala de aula, pois a biblioteca não serve para isso. A nossa missão não é corrigir ou bloquear a criança.

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É preciso ter prazer de compartilhar com as crianças. Uma criança e um adulto vão ter leituras diferentes. Temos que dar prioridade para a leitura delas. Deixemos as crianças viverem a sua história. Quando vamos ao cinema e ao teatro, cada um vê de seu jeito. E a criança tem necessidade de ter essa leitura, ela mesmo lê e relê. Sabe que entre as duas capas de um livro há páginas, que é uma experiência e um suporte imutável. Assim a criança torna-se também um autor.

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As crianças muitas vezes não vêm na biblioteca. Elas não sabem que têm um lugar por lá. Elas não se integram, não fazem bagunça. O que temos que fazer é sair da biblioteca e ir onde elas estão, onde elas brincam. E quando vamos para lá, elas vêm sozinhas. Elas querem ler junto conosco. E temos que estar num lugar onde os pais possam nos ver. É preciso ser visto, ter testemunhos. E temos que ir nos lugares com mais problemas, com a situação mais difícil. Conheci um garoto que a mãe chamou para almoçar. Ele disse que só iria depois, pois a história não tinha acabado.

Os destaques do primeiro dia do Seminário Biblioteca Viva

Veja uma história multimídia do primeiro dia do Seminário Biblioteca Viva, realizado neste 7 de novembro no Auditório da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Entre os destaques, pode-se citar as palestras de Cida Fernandez (Pernambuco) e  Juana Imelda Hernández Mendoza (Guatemala), o bate-papo com o escritor Ricardo Azevedo sobre o papel da literatura, uma mesa de debates com os especialistas em pesquisa na área cultural e a já tradicional apresentação de painéis que trouxe experiências diversas sobre o mundo das bibliotecas e da leitura. Confira a timeline abaixo.