Conheça a experiência das bibliotecas populares na Argentina

O bibliotecário Javier Mariano Areco apresentou na terça-feira, 24 de outubro, no Seminário Biblioteca Viva os inúmeros projetos e serviços da Comissão Nacional de Bibliotecas Populares (Conabip). A organização argentina é uma referência para o Brasil trabalhar em rede, promover a integração com a comunidade e a articulação entre o estado e a sociedade. O modelo começou no século 19 e hoje congrega 2 mil bibliotecas populares no território nacional. “Somos heterogêneos, plurais e abertos. Todos são tratados iguais, mas agregamos pessoas diferentes. As bibliotecas populares são lugares de encontro e uma ferramenta para a construção de liberdade”, comentou.

Entre as características desta bibliotecas estão: ter um grupo de voluntários, normalmente líderes comunitários, ter um espaço fixo próprio, fazer uma prestação de contas – já que são usados recursos público, contar com horário fixo de atendimento, ter uma coleção que atenda as demandas do público e destacar a condição de ser popular – ou seja, fazer o advocacy do sistema. As bibliotecas populares atuam em zonas e bairros carentes de projetos culturais.

O especialista argentino citou diversos projetos da entidade como o Libro %, que destina recursos para os associados viajarem a Buenos Aires durante a feira do livro. Além de pagar a viagem, o Conabip dá uma verba para a compra dos títulos. Durante este evento, o maior do país, é possível conseguir descontos de até 50% com editoras. Ao final da sua fala, convidou os brasileiros para conhecer a ideia. Outro investimento em acervo são as compras regulares, distribuídas entre as bibliotecas. A curadoria é feita por especialistas e ouvindo as bibliotecas da rede.

A Conabip promove um projeto de extensão chamado Bilbiomóveles. A ideia é usar carros e vans que percorrem o país com uma minibiblioteca, visando atrair novos usuários. O projeto é tão forte que algumas unidades contam com um veículo próprio.

A rede argentina edita uma revista impressa e digital chamada Bepé, que publica entrevistas, reportagens e faz a divulgação de novos autores. Fomenta um selo editorial próprio, investe em fóruns, redes sociais, têm programas de rádio e um canal audiovisual na web, além de realizar palestras virtuais e presenciais com escritores argentinos.

Capacita os profissionais em competência informacional, para eles fornecerem informações sobre a cidade e seus pontos turísticos e integrar estas iniciativas com o acervo local. Investe no Observatório de Bibliotecas, projeto que cria a biografia de algumas unidades, registrando a história dos equipamentos culturais.

Criou ainda um sistema de gestão de bibliotecas baseado em código aberto. O software centraliza a buscas nos catálogos das 900 bibliotecas populares que já adotaram a ferramenta. Além de aumentar a cooperação entre as unidades, outra vantagem é ter a base de dados em um servidor na nuvem. E este é apenas um dos serviços de assistência em biblioteconomia.

A Conabip tem ainda uma área de relações internacionais, que promove de maneira sustentada a cooperação com alguns países como a Colômbia, Peru, México, França e Alemanha. A ideia não é somente promover intercâmbios para a troca de experiências, mas também ajudar outras nações a implementar modelos e projetos já testados no país-sede.

Na mesa-redonda de quarta-feira, 25 de outubro, o bibliotecário vai aprofundar alguns destes tópicos. O especialista divide a fala com Isabel Mayer, do LiteraSampa, uma associação brasileira que também trabalha em rede. É uma ótima oportunidade para conhecer mais as ideias que visam ampliar a atuação no território, tema central do Seminário Biblioteca Viva.

A dica é acessar o site oficial para aprender mais com essa rede argentina —>

http://www.conabip.gob.ar

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