Evento de bibliotecas mostra a importância de contar as histórias das pessoas

 

A primeira palestra do Seminário Biblioteca Viva na quarta-feira, 25 de outubro, apontou as semelhanças entre o trabalho das bibliotecas e dos museus, expondo uma importante experiência sobre herança cultural. O tema é trabalhar coleções e acervos que fomentam a memória e contam as histórias das pessoas. A fala foi com Karen Worcman, que há 25 anos mantém e dirige o Museu da Pessoa.

A mediação ficou a cargo do diretor da SP Leituras, Pierre André Ruprecht, que destacou essa equivalência, apontando para o manifesto da International Federation of Library Associations and Institutions (IFLA). O documento traz 12 linhas mestras que devem objetivo final de bibliotecas em todo mundo.

Além dos números, sempre superlativos, a historiadora carioca surpreende pelo olhar. O olhar que vê no indivíduo uma fonte de saber e conhecimento. O olhar que resgata a memória coletiva e a coloca em primeiro plano. O olhar que usa livros, fotos e vídeos como ferramentas para manter vivas as narrativas. Seria o Museu da Pessoa um museu? Ou seria uma biblioteca humana? Quando se fala de biblioteca humana, vale recordar a fala de Rámon Salaberria, da Biblioteca Vasconcelos, no México. Ele detalhou esta bem-sucedida experiência no Seminário Biblioteca Viva 2015.

A gestora cultural também explicou as diversas fases do Museu da Pessoa, que está entre os 10 mais visitados do Brasil. Falou que além de catalogar, deve-se ouvir, disseminar e devolver os saberes. E não só: produzir estes saberes. “Devemos incentivar a produzir novas imagens do território. É contar a histórias das pessoas e da cidade. O ser humano deveria ser considerado o maior patrimônio da sociedade. A memória de vidas é algo intangível”.

O acervo do Museu da Pessoa conta com 17 mil depoimentos, que totalizam 25 mil horas de vídeo e 60 mil fotos e documentos. Uma produção que está acessível na internet por meio de uma plataforma digital. Além deste trabalho pioneiro na web, a instituição também criou em 2009 um método de replicação do trabalho.

Esta tecnologia social da memória ensina técnicas de entrevista e como colher os depoimentos para destacar a importância da história falada. A ferramenta foi usada por 1.300 organizações e escolas, 4.500 professores e cerca de 45 mil estudantes, profissionais e lideranças comunitárias. “O mais bacana é ver o interesse de quem está fazendo. Estamos sonhando com o macro e fazendo no micro. As pequenas coisas é que nos movem”, finalizou.

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