Evento em São Paulo discute a tecnologia a serviço das bibliotecas

Uma das tendências para o setor é o uso das tecnologias de informação e comunicação nas bibliotecas e centros culturais. E isso esteve presente em vários momentos da décima edição do Seminário Biblioteca Viva. A francesa Mélanie Archambaud falou da adoção de espaços makers e fablabs; a alemã Gabriele Ceseroglu ressaltou a importância do acesso ao meio digital, o especialista Javier Mariano Areco contou as experiências argentinas com a democratização de softwares de gestão e o investimento em mídias digitais.

Na manhã desta terça-feira, 24 de outubro, o tema dominou o cenário. Esteve presente na palestra virtual com a croata Mirela Roncevic, que gravou um vídeo para explicar um pouco mais do projeto Free to Read (Livre para ler). A expert radicada nos Estados Unidos contou detalhes do processo de criar um aplicativo que possibilitou acesso de conteúdos literários na Croácia.

“Este projeto passou a ser o centro das minhas atividades. E com isso, conseguimos mobilizar um país inteiro”, comentou no vídeo. O aplicativo se chama Croacia Reads e permite baixar livros na língua nativa e em outros idiomas. Ela mesmo disse que se surpreendeu com a procura de e-books em inglês, por exemplo. O piloto foi gestado em quatro semanas: o primeiro passo foi importar a tecnologia e o modelo de negócios de Israel. A plataforma é um hub que centraliza o acesso e teve uma excelente resposta do público: cerca de 30 mil downloads em pouco mais de um mês.

E o exemplo implementado por Mirela não é isolado. No Brasil, existem dezenas de projetos que usam tecnologia para promover atividades em bibliotecas. Algumas destas experiências foram tema dos painéis da manhã.

A primeira apresentação foi de Itanhaém (SP), que mostrou uma forma artesanal para produção de livros, cuja ideia é democratizar o acesso. As obras são feitas de materiais reciclados e com mão de obra voluntária, o custo gira em torno de R$ 2. O projeto foi viabilizado por meio da parceria da biblioteca com a sociedade, ‘colocando no papel’ cinco obras de autores locais e impactando na vida da comunidade. Esta produção alternativa usa tecnologias como martelo, serra, papelão e até uma havaiana.

Outro case interessante veio de Lençóis Paulista (SP), cidade que tem nas letras uma identidade: o acervo do município é de 150 mil livros para cerca de 65 mil habitantes. Lá se expandiu umas principais funções de uma biblioteca, que é cuidar da memória local, disponibilizando as informações na internet. A equipe buscou recursos para modernizar a área de restauro e digitalização, conseguindo verba para comprar um scanner moderno. Com isso, novas portas se abriram.

A biblioteca restaurou cerca de 500 obras raras, uma delas de 1585. Recentemente, um dos jornais mais antigos do estado de São Paulo, O Eco, doou 80 anos de acervo. O trabalho de digitalização do material deve ser concluído em fevereiro, a tempo do aniversário do periódico. Outra solicitação é do cemitério, que solicitou a digitalização dos livros de registro. Estes documentos são muito solicitados para quem deseja conseguir uma cidadania estrangeira.

A capital paranaense trouxe outro exemplo de como a integração de mídias digitais e impressas pode estar a serviço da sociedade. A Biblioteca Pública do Paraná (BPP) investe no Jornal Cândido há seis anos. A publicação mensal está na edição número 76 e divulga as atividades do espaço e da literatura brasileira.

A tiragem de 10 mil exemplares é distribuída nacionalmente e existe também uma versão digital, com o conteúdo integral: são reportagens, ensaios e até textos literários. A biblioteca completa 160 anos e é o maior centro de difusão cultural do Estado. Tem uma visitação de 3 mil pessoas e 1500 empréstimos por dia. Ao todo, o acervo é de 800 mil títulos.

Ajudar e integrar idosos com a tecnologia é a ideia da Biblioteca de São Paulo (BSP), que promove a Oficina de Smartphones e Redes Sociais voltadas para o público com mais de 60 anos. A atividade começou em 2015 e ensina dicas para inserir um contato, conversar no WhatsApp ou encontrar um amigo no Facebook. Até agosto foram realizadas 37 edições com 376 participantes e a procura continua em alta. A ideia veio da equipe de atendimento: os tutores do curso de informática perceberam que o público também necessitava de auxílio para usar os celulares inteligentes.

Por fim, último painel mostrou o uso do teatro para entreter o público em Garça (SP). Lá se usa as artes cênicas em várias linguagens e meios tecnológicos como vídeo e música, num trabalho de expressão que exercita o lado lúdico e o gosto pela leitura. O mapeamento durou um mês e o projeto foi uma das maneiras que o equipamento cultural pensou em atrair os ‘não usuários’. A biblioteca realiza oficinas de teatro e peças experimentais em itinerâncias nas áreas carentes. A ação é semanal, tem duração de duas horas e foca em crianças e adolescentes.

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